Revisão taxonômica das coleções de abelhas Euglossini do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá e da Universidade Federal do Amapá, revela espécies raras da fauna amapaense
No período de 07/01/2026 a 23/01/2026 as Coleções Entomológicas do IEPA Campus Fazendinha e das Ciências Biológicas da Universidade Federal do Amapá - UNIFAP (Laboratório de Arthropoda), foram estudadas pelos pesquisadores Dra. Patrícia S. Vilhena, da Universidade de São Paulo, campus de Ribeirão Preto - SP, especialista em abelhas da tribo Euglossini (abelhas das orquídeas) e Ms. Richardson Frazão, do IEPA/JBRJ/ENBT. Esforços foram empregados a fim de realizar a identificação taxonômica e organização da coleção de espécies desse grupo de abelhas, assim como apoiar projetos de estudos em ecologia e biodiversidade. Neste âmbito, destaca-se a tese de doutoramento de R.F. Frazão, em andamento, sobre polinizadores em áreas de manejo de açaizais, a partir de amostragens realizadas pelo projeto Incógnitos em parceria com a EMBRAPA-AP e o Trabalho de Conclusão de Curso de J.M.M. Almeida, aluna do curso de Ciências Biológicas da UNIFAP.
Como resultados da visita da pesquisadora, foram examinados 1.131 exemplares, sendo 897 depositados na coleção de Arthropodes da UNIFAP e 234 depositados na coleção do IEPA-Fazendinha. Uma lista com aproximadamente 45 espécies de Euglossini foi obtida, sendo que 36 espécies estão depositadas na coleção do IEPA e 35 na coleção da UNIFAP. Alguns poucos exemplares ainda necessitam de avaliação taxonômica mais detalhada para determinação definitiva da identidade das espécies, os quais serão encaminhadas ao especialista em Euglossini do INPA em Manaus-AM para revisão secundária.

Figura 1. Selfie durante estudo na Coleção de Abelhas do IEPA-Fazendinha. Foto: R. Frazão
Os resultados destacaram a ocorrência de espécies raras, tais como Aglae caerulea Lepeletier & Serville, 1825, Eufriesea limbata (Mocsáry, 1897) e Eulaema (Eulaema) tenuifasciata (Friese, 1925), depositadas exclusivamente na coleção do IEPA. A espécie A. caerulea (Figura 2) é a única do gênero e apresenta hábito de vida cleptoparasita, atacando ninhos de Eulaema, outro gênero dentro da tribo Euglossini (Roubik & Hanson, 2004). Exemplares dessa espécie são raramente representados em museus e coleções zoológicas, assim como dificilmente são observados em campo (Morato, 2001). Já E. limbata e E. tenuifsciata são espécies de vida livre e foram registradas em áreas de serras do Estado na região centro-oeste. Também são raramente amostradas e ainda não haviam sido registradas em estudos anteriores realizados no Amapá (Melo, 2006; Vilhena et al., 2017).

Figura 2. Aglae caerulea depositada na Coleção de Abelhas do IEPA-Fazendinha. Foto: P.S. Vilhena
As coleções analisadas apresentam material testemunho de muitas áreas que integram as pesquisas do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) Fauna do Estado do Amapá (IEPA/GEA, 2024). Diante disso, possuir uma coleção de referência de abelhas do Estado, devidamente organizada e com espécies identificadas, é de extrema relevância como material testemunho da biodiversidade Amazônica. Além disso, é fonte permanente de consulta disponível a estudantes e pesquisadores para o desenvolvimento de seus trabalhos acadêmicos assim como proporem projetos científicos.
“Euglossini são espécies bioindicadores, voam a longas distâncias e são polinizadoras de orquídeas, das quais extraem substâncias aromáticas, e mantém a variabilidade genética da flora da região. Os trabalhos estão em andamento para publicações futuras dos dados obtidos, como a descrição de espécies novas e caracterização da nossa biodiversidade”. Enfatiza o Biólogo Frazão.
Para Bióloga Vilhena “Essa revisão das espécies de Euglossini contribui significativamente para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade de abelhas do Estado do Amapá. Ao analisar duas coleções importantes, do IEPA e da UNIFAP, houve uma complementação de informações a respeito da riqueza de fauna do Estado, uma vez que na primeira coleção há o predomínio de espécies raras e características de áreas preservadas. Enquanto que na segunda, há predominância de espécies amplamente distribuídas e características de áreas urbanizadas. Em ambos os casos, revelou-se grande riqueza de fauna, o que reforça a necessidade de empregar mais esforços de investigação sobre a biodiversidade desse grupo na região”.
Agradecimentos
Ao pesquisador Dr. Alexandre Jordão coordenador do Laboratório de Entomologia de Ecossistemas – LEE/IEPA. Ao professor Dr. Raimundo Nonato Couto pelo acesso a coleção de Arthropodes da UNIFAP.
Referências
Melo, G. A. R. (2006) Apidae (Subtribos Meliponina e Euglossina) da região dos lagos do Amapá. In: Costa Neto, S. V. (Org.), Inventário Biológico das Áreas do Sucuriju e Região dos Lagos, no Amapá. Macapá: IEPA. p.123–130.
Morato, E. F. (2001) Ocorrência de Aglae caerulea Lepeletier &Serville (Hymenoptera, Apidae, Apini, Euglossina) no estado do Acre, Brasil. Revta Bras. Zool. 18 (3): 1031- 10334.
Roubik, D. W. & Hanson, P. E. (2004) Orchid bees of Tropical America: Biology and field guide. Santo Domingo de Heredia: INBio.
Vilhena, P. S.; Rocha, L. J. & Garófalo, C. A. (2017) Male Orchid Bees (Hymenoptera: Apidae: Euglossini) in Canopy and Understory of Amazon Várzea Floodplain Forest. I. Microclimatic, Seasonal and Faunal Aspects. Sociobiology 64 (2): 191-201. DOI: 10.13102/sociobiology.v64i2.1232.
Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA)/Governo do Amapá. (2024) Zoneamento Ecológico Econômico – ZEE. 40p.